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Archive for janeiro \02\UTC 2007

Exaltação à Natureza

natureza 01

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.. E um dia, quando os seres humanos reconhecerem nela, verdadeira mãe de todos os seres, seria natural alguém lhe dedicar um poema…

 

“Exaltação à Natureza”

 

I

Depois de vinte e uma eternidades, Mãe Natureza, encontrei meu Pai,

Que então me falou de ti.

E assim, meu ser repartido pulsava por sete sementes que flamejam no teu ser,

Como que querendo dizer, que embora eu não soubesse que eras minha mãe,

Tu nunca o deixaste de ser.

Respirei de teus ares, gerei sob teu Sol, me ponteei por tuas estrelas, me desenvolvi de tuas águas…

E me fizeste de alimento os vegetais.

Ser rude e ignorante, por te desconhecer, alimentei de teus animais.

 

II

Só lamento Mãe Natureza, não falar ainda teu natural idioma…

Pois, me fiz artificial e quando despontei do chão, encontrei tão louca redoma,

E meus irmãos desconhecidos entrei si,

Também nunca souberam de ti.

 

III

Ainda não sabem Mãe Natureza,

O quanto a senhora é amorosa e brava… Poderosa e gentil.

Meu Pai, senhor desse teu Universo.Ora me ensina o alfabeto Racional para que eu possa contigo conversar.

E eu a encontro pelos desvios de meu destino,

E quando aprendo, sei que contigo estou.

Lá, onde ele fez moradia, tua presença é tão verde e pura,

E tão ausente a melancolia.

 

IV

Aqui onde estou te fizeram tanto mal…

Agrediram teus pulmões e te vejo tão doente.

Senhora, cobriram teus poros de negro piche,

E por aqui parece morrer um pedaço de ti na negra fuligem que exalam contra o teu céu,

Nunca mais te vejo azul… Sempre embaçada e triste.

Nefasta e carregada.

 

 

V

Que fazer Mãe Natureza?

Se te agridem e ferem, morro eu.

Perdão, aprendi que não morro, mas pior,

É que para o pior sempre descerei.

O trilhar da casa do labor, “via-crúcis” de todo dia,

Vou te contemplando pela janela da “bazuca”

que também fere e machuca,

E eu lamento… Intimamente peço:

Perdão, Mamãe, sei que o que te faço

A mim será devolvido.

 

VI

Tens tantos filhos!

Gerei-me à tua semelhança… Nem sempre verão, nem sempre inverno.

Porque como tu, tenho também meus dias de outono,

Mas agora meu Pai me ensina alcançar a eterna primavera.

Ao principiar no te conhecer, deduzi mal teu caráter vingativo,

Tão mortalmente severa no aplicar dos teus corretivos.

Teu açoite é violento para quem fere um filho teu.

Pareces renegar o agressor, como se lê também não fosse um filho teu.

 

VII

Queria que me orientasse… Extirpasse-me o negro veneno que respiro.

Quisera poder recobrar a memória de algum mal que te fiz…

Para poder entender a morte lenta daqueles

que se lançam contra os teus céus fulminados

pelo próprio mal que produziram.

 

VIII

Ah, Mãe Natureza, eu quero voltar…

Leva-me de volta, porque aqui já não posso ficar…

Dá-me o meu pedacinho de Lua, o que perdi no Sol,

Deixa-me recuperar.

Extrair dos vegetais aquilo que há tanto tempo perdi…

Remonta meu ser natural e lá nas estrelas me deixa buscar,

O mesmo que sorverei da água e da terra, a parte que tenho na classe animal.

Pois cansei de descer, fui vencido na guerra, quero paz…

Quero meu natural.

Sei que sou teu feito, mas não posso esquecer da condição de mero robô

Teleguiado por ti… Tão dependente, tão carente,

Que até para pensar, dependo dos teus eflúvios…

Agora que tu, dia a dia, mudas de energia enfraquecendo meu pensar,

Não te esqueces que todos os dias recarrego a bateria deste robô

Para fazê-lo raciocinar.

 

IX

Alcançar, quem dera, em pouco tempo a primazia do teu verdadeiro renascer.

Sentir brotar de todas fontes, hostes cristalinas do meu antes de ser.

Hei! Grito eu cá debaixo… Mãe Natureza, mostre-me eu…

Um vento resvala em minhas faces, doce e ameno, teu gesto a denunciar que assim me respondeu.

Um pingo lá, outro cá, vida esparsa feita chuva, onde eu pergunto:

Quem chorou? Foste tu ou eu?

Saltita lépido um pardal, espalhando pius de alegria e nele me contemplo

Sobre a árvore, cuja  essência é mensagem de uma interação entre tu e eu.

E volvo os ponteiros de visão para o alto, buscando-me na deformação.

Lateja débil já a pergunta: “Quem sou eu?”

Mãe Natureza se agita varando nas nuvens os seus flamejantes raios de sol.

Que depressa sucumbem no ocaso como num desespero,

Miúdas estrelas surgem fugazes, por entre um balé de nuvens que o vento carrega,

Denunciando um quarto minguante de lua,

Que refletida nos mares do mundo,

Parece estar querendo arrebentar as ondas nos penhascos.

 

X

Que deverá me dizer, Mãe Natureza?

O silêncio quando fala, traz o matraquear de habitantes do espaço,

Misturado com o coaxar de sapos na lagoa e as cigarras cantando nos sertões.

Que quererá me dizer, Mãe Natureza?

Com esse óvni veloz rasgando os ventos de uma eternidade sem consolo?…

Mãe Natureza está tão antiga… Tão velha…

Parece tão doente, não pára nunca, se mexe em todos os seus quadrantes

tão dantesco e berrante os seus cenários de morte…

 

XI

E ora Mãe Natureza é tão poderosa a receber as hostes divinas.

E ela se agiganta e se  cura recebendo meu Pai…

Qual noiva feliz que finalmente alcança sua paz.

E eu Mãe Natureza, onde estou? Quem sou?

De onde vim e para onde vou?

Tão sábia, pela voz suprema da origem, que retumba dizendo:

“Tu és aquilo que fui antes de ser o que sou… Procura-me e terás te encontrado…

Quando isso acontecer, corre às estrelas e pega delas o que foi teu…

Igualmente vai ao Sol e não te esquece da Lua, água, nem da terra…

Não olvides os animais e muito menos os vegetais.

Contudo, brinco contigo estranho linguajar,

Que tudo isso farei, sem que necessites percorrer os meus quadrantes,

E quando detidamente estiveres a me contemplar,

É inútil querer ver-se em mim, pois que eu também deformada estou…

Contudo, se queres desde já saber quem és tu… És nada… Mas, o teu eu…

Sou eu, que ora te chama de Mãe Natureza… E sete és tu”.

 

 

XII

Então na terra me vi planície, no chão me vi o vegetal…

Nos mares e regatos me vi água…

No vácuo me vi Sol, lua estrelas… Olhando-me vi o animal…

Lá em cima nada vi… Apenas deduzi a real planície além astral.

Como pude destruir-me tanto assim, se nem isso que sou chego a ser…

Se fenecer transformo em micróbios e como vírus não posso me conhecer.

Dá-me tua mão, não me deixes aqui… Ouve o mudo apelo de um inútil a suplicar

Que débil arqueja: Pai… Mais uma chance, eu quero voltar.

 

XIII

Lá bem longe nas montanhas, o eco surdo faz retinir:

“Levem-me de volta quero subir…”

Pelos mares e regatos, o mesmo a pedir:

“Eu quero voltar, eu quero voltar…”

Mãe Natureza silencia seus feitos num remanso de sono como o abono

finalmente uma luz desponta em sua áurea…

Majestosa, bela, impar, cristalina…

Apodera-se mansa de um casal… Compõe-lhe a seiva da vida…

E alguém nasce como se fora animal.

Mãe Natureza prepara o grande oriente… Nos favos as abelhas curtem o mel.

Lá em cima o Tribunal julga pela era de fogo e na Terra desponta

aqueles que todos chamam de MANOEL.

Ah, se ouvissem a sinfonia das estrelas, Mamãe cantando por todos os feitos

E que rebuliço no mundo se deu.

 

XIV

Cinqüenta anos depois num arrebol do sertão,

Desci entre gameleiros secos e caatingas para cumprir uma missão.

Encontrar meu Pai para conhecer Mãe Natureza,

E poder um dia encontrar o uso pleno da razão.

 

 

Visite o site: http://www.livroracional.com.br

 

 

 

 

 

 

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